VESTÍGIOS DO PLEISTOCENO
Dudu Garcia explora a matéria, o tempo e a memória através de superfícies texturizadas e vestígios ancestrais.

25 de jul. de 2025
Nas superfícies criadas por Dudu Garcia, sentimos que algo nos antecede e nos atravessa. As marcas deixadas ali não são apenas matéria e gesto: evocam um tempo remoto em que a presença humana se inscrevia no mundo por necessidade, instinto e linguagem.
“Vestígios do Pleistoceno” sugere um retorno simbólico a esse momento inaugural. A pintura aqui se aproxima da parede como abrigo, como camada de história. A textura é protagonista: feita de acúmulos, desgastes, acidentes e revelações. A cor remete à terra, ao tempo, ao que sobrevive ao uso e ao abandono.
Essas obras não buscam uma imagem acabada. São superfícies vivas, abertas, em que o fazer do artista se cruza com os registros deixados pelo tempo. O gesto de Dudu não domina a matéria, escuta, acolhe, reage. Há uma escavação silenciosa que guia o processo, como se a pintura fosse, ao mesmo tempo, construção e descoberta.
Ao olhar para essas telas, o espectador não encontra uma narrativa, mas vestígios, indícios de passagem, de presença, de memória. Há algo de ancestral que se insinua, não como reconstrução do passado, mas como percepção ampliada do presente.






